FuracãoLGBTQ

Movimento LGBTQ no Brasil

De onde vem o orgulho LGBTQ, como o movimento se organizou no país e como você pode ajudar a causa.

Orgulho

Do estigma ao orgulho

A expressão “Orgulho LGBTQ” surge em contrapartida ao estigma da vergonha, da carga e do preconceito que as pessoas LGBTQ carregam ao longo da vida. Do ponto de vista individual, diz sobre ter orgulho daquilo que nos constitui e que muitas vezes é encarado como pejorativo. Do ponto de vista coletivo, é a forma como nos organizamos politicamente para romper com aquilo que a sociedade sempre pregou como aceitável e normal.

Tanto individual como coletivamente, o orgulho LGBTQ surge como uma ferramenta importante de luta e de empoderamento.

Linha do tempo

A história do movimento no Brasil

  1. Anos 60

    Os primeiros grupos

    Relatos de jornais da época mostram que, de forma tímida, alguns grupos se organizavam para discutir questões LGBTQ e organizar concursos gays.

  2. 1968

    O AI-5

    Em 13 de dezembro, o AI-5 congela qualquer movimento. Se hoje o descobrimento e a aceitação individual já são complexos, naquela época eram muito mais.

  3. 1979

    Lampião da Esquina

    Surge o jornal Lampião da Esquina, feito por homens gays, que traz pautas não só LGBTQ, mas também de feminismo, de raça e de outras lutas.

  4. 1980

    Nasce o GALF

    Acontece a primeira divisão do grupo e surge o GALF: Grupo de Ação Lésbica Feminista.

  5. 1982–83

    A epidemia de DST/AIDS

    O movimento sofre um grande baque: boa parte dos ativistas se contamina pelo vírus e acaba falecendo.

  6. 1986

    Conferência de Saúde e SUS

    Com a redemocratização, acontece a 8ª Conferência Nacional de Saúde e, dois anos depois, é criado o SUS — que tornaria o Brasil referência mundial no tratamento da DST/AIDS.

  7. Anos 90

    O debate da sigla

    De movimento homossexual a movimento gay, surge a sigla GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), que depois vira LGBT, sem os simpatizantes, entendidos como fora do movimento.

  8. 2005

    Direitos Humanos

    É criada a Secretaria Especial de Direitos Humanos, que amplia as políticas públicas voltadas às minorias e abre caminho para uma série de conquistas.

  9. 2009

    Nome social

    Conquista do direito ao nome social.

  10. 2011

    Casamento homoafetivo

    Reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

  11. 2019

    LGBTQfobia é crime

    A LGBTQfobia passa a ser criminalizada.

  12. 2020

    Doação de sangue

    Fim da proibição da doação de sangue por homens gays e bissexuais.

Hoje

E no futebol não há de ser diferente

Toda esta história é um processo evolutivo e contínuo, e muitos fatos não cabem aqui. Mas uma coisa é certa: houve evolução, empoderamento, e a representatividade está cada vez maior.

No futebol, paixão nacional, não há de ser diferente. Estamos chegando para ocupar um espaço que historicamente sempre foi extremamente machista e homofóbico.

Estamos aqui para ajudar a quebrar esse estigma!

Indicação de leitura

Devassos no Paraíso

A homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade — João Silvério Trevisan. Para quem quer se aprofundar no assunto.

Como ajudar

Como você pode nos ajudar

  • Apoie a causa

    Vá a eventos como a Parada do Orgulho LGBT e exposições que discutam o tema. Quando há interação, as pessoas podem sentir e até vivenciar algumas experiências, mesmo que apenas contadas por LGBTs. Divulgue e faça doações a associações, grupos de acolhimento e ONGs que lutam pela diversidade.

  • Dê oportunidades

    Muitos LGBTs perdem o emprego quando se assumem, em especial as pessoas trans. Se você tem seu próprio negócio ou conhece alguém que possa contratá-los, indique-os ou se cadastre em plataformas. Se conhece um LGBT empreendedor, divulgue seu trabalho.

  • Rebata equívocos

    Alguém entrou no assunto da cura gay? Informe que a homossexualidade foi tirada da Classificação Internacional de Doenças (CID) em 1990. Os termos corretos são “homossexualidade” e “orientação sexual” — e não “homossexualismo” e “opção sexual”.

  • Não generalize

    Nem todo LGBT é igual. Não espere que todos os homens gays, por exemplo, sejam engraçados, entendam de moda e se comportem de maneira estereotipada. Cada letra da sigla tem sua própria identidade e seu próprio significado.

  • Nunca exponha

    Cada LGBT tem o seu momento de sair do armário, e não cabe a você tomar essa decisão. E não banque o inconveniente perguntando a um casal homossexual quem é o homem e quem é a mulher da relação.

Iniciativas

Iniciativas que valem a pena conhecer

  • Aplicativo

    TODXS

    Startup social que criou um aplicativo com todas as leis brasileiras de proteção à comunidade LGBT. Ele também permite que os usuários façam denúncias.

  • São Paulo

    Casa 1

    No bairro Bela Vista, abriga até 12 pessoas maiores de 18 anos expulsas de casa por causa da orientação sexual, e oferece aulas e oficinas com voluntários. Contato: centrocasaum@gmail.com.

  • Rio de Janeiro

    Casa Nem

    Na Lapa, abriga pessoas trans, travestis e homossexuais em situação de vulnerabilidade. É mantida por voluntários e doações, e também recebe eventos culturais.

  • Curitiba

    Grupo Dignidade

    Fundado em 1992, foi o primeiro grupo organizado do Paraná na promoção da cidadania LGBTI+ e a primeira organização LGBTI+ do Brasil com título de Utilidade Pública Federal (1997).